COSTURA E LITERATURA

INSPIRAÇÃO

Estive analisando minha vida. A minha vida criativa, onde as inspirações brotavam feito sementes regadas de chuva e aquecidas de sol.

Eu pensava em um tema e milhões de idéias borbulhavam em minha mente buscando a melhor maneira de executar uma arte, um poema ou um texto. 

Tudo respirava inspiração. As horas eram longas e criativas e eu fazia acontecer e as coisas aconteciam.

Hoje, tenho tantos pensamentos de arte mas nenhuma inspiração para executá-los. Parece que coloquei uma trava nos rompantes de criatividade. Engessei meus pensamentos com o medo de seguir um caminho borrado com as tintas, porque não tenho certeza da cor das tintas.

Parece que sou um fantasma em mim mesma, buscando o vigor da criação que existia em minha alma, mas calou-se.

De repente sou tantas e todas escondem-se porque sentem medo que a criatividade chegue e mude tudo. E eu, e elas em mim, nos apavoramos com o resultado das cores que haverão de brotar.

Será que foi o tempo que descansou meu pensar, meu agir? Que roubou de mim o idealismo criativo? Ou foi o próprio tempo que fez com que eu mudasse meu foco, para buscar a sobrevivência material e esquecer o idealismo artístico?

O que aconteceu com minha alma, que produzia telas para alertar o mundo sobre o sofrimento da fome em países pobres ou em guerra?

Minhas telas deixaram de serem produzidas, mas o sofrimento da humanidade continua e é pior a cada dia. Isso ainda dilacera minha alma, mas já não consigo ser uma voz que fala por elas. Acho que fiquei mais triste no meio das tristezas e mais solitária no mundo da imaginação.

O que me conforta agora? Hobbies com tecidos, agulhas, linhas, coisas lindas mas que não levam a minha identidade. Têm a efemeridade de uma flor no jardim: linda hoje, amanhã sem brilho e sem cor. 

 

Helena Rosali

Há 12 meses
Tags: inspiração crônica sobre inspiração
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