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A CASA DE MEU PAI

De manhã, quando entrei na rua
que fica logo atrás da padaria
vi o carro.
Parado em frente à casa,
embaixo da árvore.
Um lindo pé de pata de vaca florido.
O carro salpicado de folhas e flores
anunciava que meu pai estava em casa.
Com toda certeza estava em casa
lendo jornal, ou vendo televisão
ou conversando histórias.

Senti uma gota de sangue explodir
em meus pensamentos:
um dia isso tudo passa
tudo passa

Como passou a casa do meu avô
com o carro na frente denunciando
que ele estava ali.
Hoje não existe mais a casa, o carro
não existe meu avô!

A vida é um segundo
que pretendemos transformar em anos.
A casa do meu pai, com seu carro estacionado
na frente confortam-me a alma
Ele está lá, minha mãe está lá
Eu tenho pra onde voltar...
Eu ainda posso sorrir com eles
e ouvir alegrias, desejos de boa sorte.
Ainda posso tomar café nas tardes
mornas de agosto.

Quem dera não passassem as horas.

Helena Rosali

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