domingo, 2 de julho de 2017

Outono passou e as folhas continuam caindo



Outono passou e as folhas continuam caindo. As ruas folham-se de diversas árvores as quais, as donas de casa teimam em limpar todas as manhãs, entre xingamentos e promessas de aniquilação de cada uma das espécies de árvores existentes. Algumas empregadas domésticas tentam se livrar das folhas com jatos de água e deixam que se entulhem nas calçadas vizinhas que com, alguma razão, provocam reclamações, brigas e intrigas com as donas da casa e com as outras empregadas domésticas.
 Um festival velado a cada manhã. Conflitos humanos, bobagens diante de um universo de grandiosidades e belezas infindáveis: o sol doando cores, calor e vida; o céu azul tingido de cinza ensaiando uma chuva; o perfume do jasmim estrela ainda com o cheiro da madrugada; a terra vermelha, argilosa e linda se esfarelando no vento que pousa nos móveis da sala onde é possível desenhar um coração; os risos das crianças no parque ali perto, correndo na grama e alegrando os olhos e a vida do futuro. Muitas pessoas fazendo caminhada, muitas praticando exercícios físicos, idosos jogando dama e outros apenas batendo papo.
Depois, a tarde quase em silêncio sente o cheiro da fumaça de mato sendo queimado.A qual torna a respiração difícil e destrói todo trabalho que deu para lavar a roupa. Então, a água tão preciosa acaba sendo desperdiçada por culpa da irresponsabilidade alheia. E mais trabalho de acumula na lavanderia e na vida contada de minutos no dia a dia de um lar.
O violão sendo dedilhado na sala escura em dia de chuva, quando os acordes compõem música com as gotas d’água que caem do telhado; um ipê roxo aquecendo as cores do inverno; um tanto do mundo impossível de citar.

Helena Rosali


domingo, 18 de dezembro de 2016

Perfumes no jardim

                         Dias de flores e perfumes habitando meu jardim.
A primavera costuma fazer reviver a alegria depois dos dias cinzentos coloridos de inverno.










segunda-feira, 19 de outubro de 2015

UM DIA PARA RECORDAR

                                                              

O silêncio apoderou-se de minha fala depois de conhecer o paraíso. 
Quanto, antes, esperava lidar com as palavras e fazer delas um meio de transformação de dias cansados e sem esperança, mas o inusitado sempre acontece e faz parecer que as dimensões não coincidem e a realidade, no final, se vê escravizada nas mordaças do tempo.
Elisa observava a rua através da cortina e não esperava nada mais que o soar do despertador para sair porta a fora, ao encontro de mais um dia de trabalho.
Na rua, vento gelado batendo no rosto, apertou contra si o casaco azul que ganhara de sua avó, alguns anos antes, e com a pressa costumeira correu para pegar o ônibus sempre lotado no início da manhã.
Era para ser mais um dia comum entranhado na rotina das horas, das falas, das leis, das obrigações, só que tudo mudou quando enormes nuvens se formaram no horizonte e, em pouco tempo fez com que o dia perdesse o brilho despejando sobre a cidade a chuva, o granizo e o medo. O vento, sem piedade levava consigo árvores, telhados, coisas, sonhos e esperanças.
Presa entre as mesas, em seu local de trabalho, todo alagado, Eliza procurava dentro de si orações. Elas vinham e fugiam entre o desespero e a fé. Ouvia os gritos dos colegas, o choro e os chamados para que encontrassem um lugar melhor para se protegerem, mas não conseguia se mexer e sair do estado de torpor que tomara conta de si. A água subia rapidamente e passava por suas pernas como se fosse o curso de um rio caudaloso.  Todos fugiram e ali estava somente Elisa e a água que fazia flutuarem as mesas, as cadeiras, os papéis, o trabalho da vida de alguém. Seu Cândido, dono do Estabelecimento, sempre trabalhou duro para prosperar e sustentar a família de quatro filhos e a esposa Maria Ana.
Agora, tudo se acabava na água de uma grande chuva e Elisa, sendo engolida pela água, não conseguia agarrar-se à sua vida. Sem saber nadar, debatia-se na esperança de se firmar em uma superfície sólida, mas não existia mais nada além dela e das paredes. Os gritos desapareceram, ouvia apenas a chuva e o vento rasgando o telhado. Depois nada mais pode ouvir. Desmaiou cansada de lutar contra a água.
Seu corpo afundou na sala inundada do escritório. Uma vida e suas esperanças por um fio, agonizando os acordes finais de tantos sonhos. Até que a água rompeu as paredes do escritório e tudo foi arremessado na rua como uma avalanche e junto Elisa foi arremessada.
Voltou a si sendo observada por várias pessoas na rua. Seus olhos perceberam pela primeira vez o brilho da vida. Sentou-se, fechou os olhos e agradeceu a Deus. Sorriu para todos e disse: “Voltei do paraíso e agora preciso viver. Quando for a hora já sei como chegar lá!”.

Helena Rosali


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Bolsa feminina

Quantos segredos uma bolsa consegue carregar?
Quantas urgências e descansos?
Trabalhos e lazer, família e amigos, tudo cabe em uma bolsa!

Bolsa Feminina



Tamanho: 35 x 32cm
13 divisórias

segunda-feira, 4 de maio de 2015

ANGÚSTIA

Quando a angústia
desdobra em mim
açoites
e as lágrimas formam rios
nos pensamentos inquietos,
vertentes de sonhos
acalentam-se na espuma macia
das almofadas da sala
e vislumbram a rua
vazia de pegadas e folhas
insinuando um universo
impossível de transpor.

A angústia, poça d'água
depois da chuva,
murmura dores,
murmura o silêncio enterrado na alma.
Helena Rosali

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

MISTÉRIO

                                

Que mistério,
Fascinante mistério
É a existência!

Intrigante mistério
É a mente:
Consciência e sabedoria
Indecisão e firmeza.

Apavorante mistério
É o afastamento
Da Origem e Causa da existência:
O Criador.

                       
Que mistério,
Fascinante mistério

É o Criador.

 Helena Rosali