sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Brisa da noite

Abraça-me brisa da noite,
aquieta meu sono
e leva-me contigo no passeio dos murmúrios
das folhas a balançar.

Abraça-me brisa
e faze-me esquecer
de tudo em mim
para que inexistente
de qualquer vida que tenha vivido
possa ser outra existência.
Livre de lembranças boas e ruins.
Livre de erros e acertos
Livre de culpas e medos.

Abraça-me brisa da noite
como uma mãe abraça seu bebê.
No seu colo leva-me para sempre,
para longe, bem longe de mim.
Leva-me para longe do que fui e,
do que virei a ser.

Helena Rosali

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O jeito do tempo

Festejei o tempo
ao notar na face
os primeiros sinais
da existência.

Alegre,
em cada curva uma marca,
doce e dolorida
enfeita os sorrisos
que agradecem a Deus.

Eita, que o tempo chega
e faz de um jeito
que a gente não sente
E desapercebido se mostra
no rosto, nas mãos, nos pés.

Nos pés que, antes andarilhos,
diminuem as pegadas.
Nos ossos que, antes fortes,
fraquejam nos obstáculos.

Eita que esse tempo
é de um jeito
que enfeita de gracejos
as horas de todos os dias.

Helena Rosali

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Netinho

Meu netinho querido, te esperei tanto
e, por tantos anos desejei olhar
seus olhos e sorrir teu sorriso
brincar de vozinha com brinquedos
pela casa e cheiro de bolo
assando no forno

Seu riso correndo no jardim
seus pés de barro sujando
a casa limpa,
a pipoca esparramada
no chão da sala e
o desenho animado repetido
incontavelmente
assistido com você.

Querido do meu coração,
um dia vou te contar histórias
de brinquedos e invenções
que presenciei, que criei.
Vou falar
de sonhos e tradições de nossas famílias.
Vou te contar o modo fácil de aprender
sobre a vida
deixar que você sorria
de meus cabelos brancos e pergunte:
Por que são brancos vozinha?
Certamente direi: Cada um desses fios brancos
representam o amor de tantos dias
importantes que enriqueceram minha vida,
para que pudesse te encontrar hoje
e contar pérolas entesouradas
no baú da experiência.
Helena Rosali


domingo, 2 de julho de 2017

Outono passou e as folhas continuam caindo



Outono passou e as folhas continuam caindo. As ruas folham-se de diversas árvores as quais, as donas de casa teimam em limpar todas as manhãs, entre xingamentos e promessas de aniquilação de cada uma das espécies de árvores existentes. Algumas empregadas domésticas tentam se livrar das folhas com jatos de água e deixam que se entulhem nas calçadas vizinhas que com, alguma razão, provocam reclamações, brigas e intrigas com as donas da casa e com as outras empregadas domésticas.
 Um festival velado a cada manhã. Conflitos humanos, bobagens diante de um universo de grandiosidades e belezas infindáveis: o sol doando cores, calor e vida; o céu azul tingido de cinza ensaiando uma chuva; o perfume do jasmim estrela ainda com o cheiro da madrugada; a terra vermelha, argilosa e linda se esfarelando no vento que pousa nos móveis da sala onde é possível desenhar um coração; os risos das crianças no parque ali perto, correndo na grama e alegrando os olhos e a vida do futuro. Muitas pessoas fazendo caminhada, muitas praticando exercícios físicos, idosos jogando dama e outros apenas batendo papo.
Depois, a tarde quase em silêncio sente o cheiro da fumaça de mato sendo queimado.A qual torna a respiração difícil e destrói todo trabalho que deu para lavar a roupa. Então, a água tão preciosa acaba sendo desperdiçada por culpa da irresponsabilidade alheia. E mais trabalho de acumula na lavanderia e na vida contada de minutos no dia a dia de um lar.
O violão sendo dedilhado na sala escura em dia de chuva, quando os acordes compõem música com as gotas d’água que caem do telhado; um ipê roxo aquecendo as cores do inverno; um tanto do mundo impossível de citar.

Helena Rosali


domingo, 18 de dezembro de 2016

Perfumes no jardim

                         Dias de flores e perfumes habitando meu jardim.
A primavera costuma fazer reviver a alegria depois dos dias cinzentos coloridos de inverno.










segunda-feira, 19 de outubro de 2015

UM DIA PARA RECORDAR

                                                              

O silêncio apoderou-se de minha fala depois de conhecer o paraíso. 
Quanto, antes, esperava lidar com as palavras e fazer delas um meio de transformação de dias cansados e sem esperança, mas o inusitado sempre acontece e faz parecer que as dimensões não coincidem e a realidade, no final, se vê escravizada nas mordaças do tempo.
Elisa observava a rua através da cortina e não esperava nada mais que o soar do despertador para sair porta a fora, ao encontro de mais um dia de trabalho.
Na rua, vento gelado batendo no rosto, apertou contra si o casaco azul que ganhara de sua avó, alguns anos antes, e com a pressa costumeira correu para pegar o ônibus sempre lotado no início da manhã.
Era para ser mais um dia comum entranhado na rotina das horas, das falas, das leis, das obrigações, só que tudo mudou quando enormes nuvens se formaram no horizonte e, em pouco tempo fez com que o dia perdesse o brilho despejando sobre a cidade a chuva, o granizo e o medo. O vento, sem piedade levava consigo árvores, telhados, coisas, sonhos e esperanças.
Presa entre as mesas, em seu local de trabalho, todo alagado, Eliza procurava dentro de si orações. Elas vinham e fugiam entre o desespero e a fé. Ouvia os gritos dos colegas, o choro e os chamados para que encontrassem um lugar melhor para se protegerem, mas não conseguia se mexer e sair do estado de torpor que tomara conta de si. A água subia rapidamente e passava por suas pernas como se fosse o curso de um rio caudaloso.  Todos fugiram e ali estava somente Elisa e a água que fazia flutuarem as mesas, as cadeiras, os papéis, o trabalho da vida de alguém. Seu Cândido, dono do Estabelecimento, sempre trabalhou duro para prosperar e sustentar a família de quatro filhos e a esposa Maria Ana.
Agora, tudo se acabava na água de uma grande chuva e Elisa, sendo engolida pela água, não conseguia agarrar-se à sua vida. Sem saber nadar, debatia-se na esperança de se firmar em uma superfície sólida, mas não existia mais nada além dela e das paredes. Os gritos desapareceram, ouvia apenas a chuva e o vento rasgando o telhado. Depois nada mais pode ouvir. Desmaiou cansada de lutar contra a água.
Seu corpo afundou na sala inundada do escritório. Uma vida e suas esperanças por um fio, agonizando os acordes finais de tantos sonhos. Até que a água rompeu as paredes do escritório e tudo foi arremessado na rua como uma avalanche e junto Elisa foi arremessada.
Voltou a si sendo observada por várias pessoas na rua. Seus olhos perceberam pela primeira vez o brilho da vida. Sentou-se, fechou os olhos e agradeceu a Deus. Sorriu para todos e disse: “Voltei do paraíso e agora preciso viver. Quando for a hora já sei como chegar lá!”.

Helena Rosali


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Bolsa feminina

Quantos segredos uma bolsa consegue carregar?
Quantas urgências e descansos?
Trabalhos e lazer, família e amigos, tudo cabe em uma bolsa!

Bolsa Feminina



Tamanho: 35 x 32cm
13 divisórias