segunda-feira, 19 de outubro de 2015

UM DIA PARA RECORDAR

                                                              

O silêncio apoderou-se de minha fala depois de conhecer o paraíso. 
Quanto, antes, esperava lidar com as palavras e fazer delas um meio de transformação de dias cansados e sem esperança, mas o inusitado sempre acontece e faz parecer que as dimensões não coincidem e a realidade, no final, se vê escravizada nas mordaças do tempo.
Elisa observava a rua através da cortina e não esperava nada mais que o soar do despertador para sair porta a fora, ao encontro de mais um dia de trabalho.
Na rua, vento gelado batendo no rosto, apertou contra si o casaco azul que ganhara de sua avó, alguns anos antes, e com a pressa costumeira correu para pegar o ônibus sempre lotado no início da manhã.
Era para ser mais um dia comum entranhado na rotina das horas, das falas, das leis, das obrigações, só que tudo mudou quando enormes nuvens se formaram no horizonte e, em pouco tempo fez com que o dia perdesse o brilho despejando sobre a cidade a chuva, o granizo e o medo. O vento, sem piedade levava consigo árvores, telhados, coisas, sonhos e esperanças.
Presa entre as mesas, em seu local de trabalho, todo alagado, Eliza procurava dentro de si orações. Elas vinham e fugiam entre o desespero e a fé. Ouvia os gritos dos colegas, o choro e os chamados para que encontrassem um lugar melhor para se protegerem, mas não conseguia se mexer e sair do estado de torpor que tomara conta de si. A água subia rapidamente e passava por suas pernas como se fosse o curso de um rio caudaloso.  Todos fugiram e ali estava somente Elisa e a água que fazia flutuarem as mesas, as cadeiras, os papéis, o trabalho da vida de alguém. Seu Cândido, dono do Estabelecimento, sempre trabalhou duro para prosperar e sustentar a família de quatro filhos e a esposa Maria Ana.
Agora, tudo se acabava na água de uma grande chuva e Elisa, sendo engolida pela água, não conseguia agarrar-se à sua vida. Sem saber nadar, debatia-se na esperança de se firmar em uma superfície sólida, mas não existia mais nada além dela e das paredes. Os gritos desapareceram, ouvia apenas a chuva e o vento rasgando o telhado. Depois nada mais pode ouvir. Desmaiou cansada de lutar contra a água.
Seu corpo afundou na sala inundada do escritório. Uma vida e suas esperanças por um fio, agonizando os acordes finais de tantos sonhos. Até que a água rompeu as paredes do escritório e tudo foi arremessado na rua como uma avalanche e junto Elisa foi arremessada.
Voltou a si sendo observada por várias pessoas na rua. Seus olhos perceberam pela primeira vez o brilho da vida. Sentou-se, fechou os olhos e agradeceu a Deus. Sorriu para todos e disse: “Voltei do paraíso e agora preciso viver. Quando for a hora já sei como chegar lá!”.

Helena Rosali


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Bolsa feminina

Quantos segredos uma bolsa consegue carregar?
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Trabalhos e lazer, família e amigos, tudo cabe em uma bolsa!

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Tamanho: 35 x 32cm
13 divisórias

segunda-feira, 4 de maio de 2015

ANGÚSTIA

Quando a angústia
desdobra em mim
açoites
e as lágrimas formam rios
nos pensamentos inquietos,
vertentes de sonhos
acalentam-se na espuma macia
das almofadas da sala
e vislumbram a rua
vazia de pegadas e folhas
insinuando um universo
impossível de transpor.

A angústia, poça d'água
depois da chuva,
murmura dores,
murmura o silêncio enterrado na alma.
Helena Rosali

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

MISTÉRIO

                                

Que mistério,
Fascinante mistério
É a existência!

Intrigante mistério
É a mente:
Consciência e sabedoria
Indecisão e firmeza.

Apavorante mistério
É o afastamento
Da Origem e Causa da existência:
O Criador.

                       
Que mistério,
Fascinante mistério

É o Criador.

 Helena Rosali

domingo, 21 de setembro de 2014

FLORES À PRIMAVERA

As árvores, os arbustos do jardim, as roseiras, enfeitam-se de novas folhas e muitas rebentam-se em flores que se jogam ao vento e formam tapetes nas ruas, nas calçadas, nos quintais.
O ar tem outra cor e o cheiro um novo sabor que tempera dias amenos de uma natureza que escolhe se reinventar eternamente.
Eu, recolhida em meu ateliê, resolvi esperar a primavera criando flores, como uma planta do jardim, inspirada pelos novos ares, pelas novas cores.
Minhas mãos, incapazes que são de reproduzir o belo florescer do jardim, ensaia um esboço do muito amor à Criação Divina.
Estas flores, ofereço ao Planeta Terra, sofrido e tenso em meio a tantos conflitos. Flores para a Humanidade que ainda vai encontrar o seu caminho.
Helena Rosali

Rosinhas de cetim

Flor de organdi

Flor de organdi

Flores de organdi

Buquê de primavera

Flores 

Dias de primavera

Uma tarde de flores

Reunião de amigas

Paz

Uma tarde no campo

domingo, 7 de setembro de 2014

VERTENTES DE SONHOS

Quando a angústia
desdobra em mim
açoites,
e as lágrimas formam rios
nos pensamentos inquietos,
vertentes de sonhos
acalentam-se
na espuma macia das almofadas da sala.

E esses mesmos sonhos
vislumbram a rua
vazia de pegadas e folhas,
mostrando um universo
impossível de transpor.

A angústia, poça d'água
depois da chuva,
murmura dores,
murmura o silêncio
enterrado na alma.

Helena Rosali

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Gotas de Luz

Gotas de luz caem no escuro do quarto.
choram de um medo bobo
do barulho da noite.

Aprisionada em dores, conto os dias
até o fim que almejo perto.
Sofro das horas perdidas
em mágoas e rancores incompreensíveis.
Finjo risos
enceno gargalhadas
e conto histórias de grandes realizações.

Quanto ainda vou esperar
para que as gotas de luz se apaguem
e o quarto silencie meu escuro.

Helena Rosali