segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O jeito do tempo

Festejei o tempo
ao notar na face
os primeiros sinais
da existência.

Alegre,
em cada curva uma marca,
doce e dolorida
enfeita os sorrisos
que agradecem a Deus.

Eita, que o tempo chega
e faz de um jeito
que a gente não sente
E desapercebido se mostra
no rosto, nas mãos, nos pés.

Nos pés que, antes andarilhos,
diminuem as pegadas.
Nos ossos que, antes fortes,
fraquejam nos obstáculos.

Eita que esse tempo
é de um jeito
que enfeita de gracejos
as horas de todos os dias.

Helena Rosali

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Netinho

Meu netinho querido, te esperei tanto
e, por tantos anos desejei olhar
seus olhos e sorrir teu sorriso
brincar de vozinha com brinquedos
pela casa e cheiro de bolo
assando no forno

Seu riso correndo no jardim
seus pés de barro sujando
a casa limpa,
a pipoca esparramada
no chão da sala e
o desenho animado repetido
incontavelmente
assistido com você.

Querido do meu coração,
um dia vou te contar histórias
de brinquedos e invenções
que presenciei, que criei.
Vou falar
de sonhos e tradições de nossas famílias.
Vou te contar o modo fácil de aprender
sobre a vida
deixar que você sorria
de meus cabelos brancos e pergunte:
Por que são brancos vozinha?
Certamente direi: Cada um desses fios brancos
representam o amor de tantos dias
importantes que enriqueceram minha vida,
para que pudesse te encontrar hoje
e contar pérolas entesouradas
no baú da experiência.
Helena Rosali


domingo, 2 de julho de 2017

Outono passou e as folhas continuam caindo



Outono passou e as folhas continuam caindo. As ruas folham-se de diversas árvores as quais, as donas de casa teimam em limpar todas as manhãs, entre xingamentos e promessas de aniquilação de cada uma das espécies de árvores existentes. Algumas empregadas domésticas tentam se livrar das folhas com jatos de água e deixam que se entulhem nas calçadas vizinhas que com, alguma razão, provocam reclamações, brigas e intrigas com as donas da casa e com as outras empregadas domésticas.
 Um festival velado a cada manhã. Conflitos humanos, bobagens diante de um universo de grandiosidades e belezas infindáveis: o sol doando cores, calor e vida; o céu azul tingido de cinza ensaiando uma chuva; o perfume do jasmim estrela ainda com o cheiro da madrugada; a terra vermelha, argilosa e linda se esfarelando no vento que pousa nos móveis da sala onde é possível desenhar um coração; os risos das crianças no parque ali perto, correndo na grama e alegrando os olhos e a vida do futuro. Muitas pessoas fazendo caminhada, muitas praticando exercícios físicos, idosos jogando dama e outros apenas batendo papo.
Depois, a tarde quase em silêncio sente o cheiro da fumaça de mato sendo queimado.A qual torna a respiração difícil e destrói todo trabalho que deu para lavar a roupa. Então, a água tão preciosa acaba sendo desperdiçada por culpa da irresponsabilidade alheia. E mais trabalho de acumula na lavanderia e na vida contada de minutos no dia a dia de um lar.
O violão sendo dedilhado na sala escura em dia de chuva, quando os acordes compõem música com as gotas d’água que caem do telhado; um ipê roxo aquecendo as cores do inverno; um tanto do mundo impossível de citar.

Helena Rosali