quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

LEILA


Tenho uma amiga que ontem nasceu para o mundo espiritual.
Sua voz e sorriso eram uma alegria para meus dias.
Sua dor era um exemplo para minha própria dor.
Minha amiga Leila
Já sinto saudades das tardes de conversas e risadas
das orações e dos sonhos.
Dia 20 de dezembro um anjo foi chamado ao céu.
Que a eternidade seja da mais completa alegria
à sua alma e que o Bondoso Deus
acolha em seu Palácio de Glórias uma de
suas preciosas servas.
Adeus Leila.
Helena Rosali

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Uma alma feita de retalhos

É quase noite e o calor faz o corpo parecer
uma massa unida às partes da natureza,
das paredes, do chão.
É quase verão e a chuva ainda não chegou!
Tranco-me no quarto à espera
de escrever meu "Cem anos de Solidão"
e à mente tudo o que me inspira é a tristeza
que aflige minha alma feita de retalhos
que, em vão, procuro remendar
criando formas e maneiras de existência
que cada vez mais angustiam meus dias
confusos com tanto viver.
Helena Rosali

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Passo a passo "Flying Geese"

Flying Geese (gansos voando), é uma técnica de patchwork que permite uma infinidade de composições. Você pode fazer colchas, bordas de mantas e bordas de colchas. Pode ser o detalhe de uma bolsa, uma almofada, um tapetinho para bebê.
O nome flying geese é uma referência à formação em "V" que os gansos fazem durante a sua migração.
 Você vai precisar de um dois tecidos, de preferência que sejam contrastantes.
Recorte um quadrado de 15cm e quatro quadrados de 9cm.
Se você quizer aumentar sempre leve em conta que a diferença entre o quadrado maior e os outros quadrados deve ser de 6cm.
 Coloque dois quadrados menores nas laterais do quadrado de 15cm, conforme figura acima.
 Trace uma linha em diagonal.


 Coloque alfinetes para prender as peças.

 Use a linha central, que você traçou, como referência para costurar com a largura de um pé de máquina. Note que a costura é feita de cada um dos lados da linha traçada.

 Depois de costurado, recorte na linha traçada em grafite.
Você obterá duas peças.
 Agora, coloque os quadrados restantes em cada uma das peças recortadas, conforme figura acima.
Trace uma diagonal em cada um e alfinete.

 Costure dos dois lados do traço feito com o lápis.

 Recorte na linha traçada.

 Você obterá quatro flying geese.
 Una um com o outro próximo ao vértice da costura.

 Monte seus flying geese.


Vou usá-los para fazer a borda de um apliqué.



Terminei a manta infantil. 
Usei a técnica de flying geese, apliqué e four patch. 
O passo a passo do flying geese vocês podem ver em postagem anterior.

domingo, 27 de novembro de 2011

Apliqué - Maleta de costura


Esta é uma maleta de costura com apliqué na parte da frente.


 Pra enfeitar um poquinho mais, bordei raminhos e costurei pequenas flores
que comprei prontas e coloquei fuxiquinhos nas laterais.


 Este é o interior da maleta.
Tem três estojos, porta retrós, porta tesoura, agulheiro, alfineteiro e um estojo chapado grande.
Aqui está o desenho da máquina para você fazer o seu apliqué!
Dúvidas é só me escrever!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Uma senhora

Um coração em prantos recosta-se nas grades
da memória e implora que dias melhores aconteçam!
Vi uma senhora indígena, linda em seu vestido preto de flores minúsculas, sentada na calçada da casa vizinha.
Ao seu lado havia uma sacola com roupas, alimentos, que certamente foram ofertados por alguma alma boa. Em seu colo um pratinho de plástico com pão.
Era linda, linda como uma pintura divina. Olhos fitando o chão enquanto sorvia seu almoço.
Senti a angústia em seu semblante. O abandono em seus olhos tristes.
Ainda chora minha alma com a lembrança daquela linda senhora à beira da vida.
Helena Rosali

domingo, 20 de novembro de 2011

SONHO INDÍGENA

           Eu vi Carlos na rua do comércio, cheio de flechas artesanais para vender. Seus olhos corriam lá onde não podia alcançar.
          Por que tinha que ser assim?
          Vender flechas, ser visto como um empecilho. Caminhar indefinidamente por estas estradas... Daqui a pouco minhas estradas estarão cobertas de concreto... Minhas terras invadidas... Cada pequeno pedaço é cobiçado, é motivo de brigas, confusões, arbitrariedades.
          Carlos fixa seus olhos nos prédios. Seu pensamento ecoa dentro de mim. “Eles acham que sou criança. Eles acham que eu não penso.”
          “Índio não tem vontade própria, mas eu tenho”.
“Tenho vontade de ter um carro, e sair estrada a fora, buscando o mundo, matas... Matas não há.”
          A avenida subia morro acima. Avistava lá em cima uma porção de índios, descendo em busca, talvez de si mesmos, pois a cidade não os receberia. É assim, índio é índio e mais nada.
          Se índio pensa?
          Não, índio está ali, absorto em sua própria pobreza, catando restos nas latas de lixo.
          Carlos limpou o suor do rosto. Indagava o sentido de sua existência, o motivo de tanta negligência.
          “Como será ser gente branca?”
          “É andar correndo rua afora, com roupas de toda cor, pano de todo jeito, e ter um carro.”
          “Homem branco... mulher de toda cor.” (risos).
          Queria catar os restos de sua gente, unir pedaço por pedaço e, passar uma borracha em cima de seu sofrimento.
          Ninguém sabe o que se esconde atrás das capoeiras, dos matagais indígenas...
          Lá no campo, a solidão é tão grande. Parece que o mundo inteiro fugiu da gente.
          A chuva derrama louca no capim, sem indagações, nem nada, e tira lágrimas do coração de Carlos.
          Carlos tinha que chorar.
          “O mundo inteiro se esqueceu da gente. É tudo tão mesquinho. Índio não pensa, é que nem criança. Será...?”
          “Queria ser dotô. Dotô de brigar na justiça pelos direitos que num tenho.”
          Amanhecer todo sol, sem medo de perder o céu. Deixar de correr pelas ruas, indefeso, mórbido e sujo, sem ter ninguém à espera.
          Lembrou-se de Mariá.
          Mariá era linda. Olhos cor da noite e mais nada.
          A formosura despontava em seu corpo. Seus sonhos mal despertavam para a vida. E a vida era só aquilo... índios, casebres e índios rua afora, pedindo, pelas latas de lixo, pelos restos dos brancos.
          A vida era homem branco, açoitando, engolindo, violentando índios.
          Um dia, Mariá enforcou-se numa árvore de espinhos. Acovardou-se diante da vida, indefesa à violência do branco.
          “Mariá entristeceu-me, nem tive tempo de tomá-la em meus braços e amá-la.”
          Arremessou uma pedra no ar, enfurecido com a idéia de tantas injustiças acometidas contra Mariá, contra sua gente.
          Era impossível viver relegado à passividade, ao esquecimento, à indiferença.
          Índio só tem valor quando está em galeria de arte. Aí todo mundo fala em “preservar”, zelar pelo patrimônio. Índio “patrimônio, uma coisa de valor, peça de museu.”
          “Nossa realidade é tão dura, tão cruel, que todos preferem ignorar nossa existência.”
          Novamente, outro amanhecer, e lá em cima, no alto da rua, despontavam pessoas vestidas de trapos, sacolas vazias e nada de anormal parecia estar acontecendo. O sol esquentava devagarzinho seus corpos arrepiados pelo frio da manhã. A grama molhada reluzia aos raios do astro rei. Ouvia-se o silêncio, a paz, eterno sonho de uma vida melhor.
          Pareciam irreais desprovidos de alma, somente corpos a transitar pelas ruas.
          Carlos chorava coração apertado com lembranças de Maria. Com saudade da vida que desejou ter...
          Um caminhão descia a ribanceira, e todos seguiam seu caminho rumo à cidade, menos Carlos que para, olha por alguns segundos o caminhão... Esqueceu-se de tudo, inclusive do sonho de ser doutor, Carlos morreu embaixo do caminhão. Seu corpo foi arrastado para o barranco da estrada e, lá ficou esquecido, eternamente esquecido.
          Ninguém soube da morte de Carlos, foi apenas mais um índio que morreu e que não fará a menor falta...
          Um dia, quando toda sua raça não mais existir, falarão nos colégios tantas coisas lindas a respeito dessa gente. Guardarão a sete chaves, em museus, pertences indígenas, farão escavações para descobrir sua origem. Não entenderão a causa de seu desaparecimento.
          Lembro-me de Carlos lá na rua do comércio, ele vendia flechas e sonhava com dias melhores.
 Autora: Helena Rosali
Crônica vencedora do concurso de contos e crônicas da cidade de Dourados no ano de 1989.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

COSTURA E LITERATURA: Os Sete Vales

COSTURA E LITERATURA: Os Sete Vales

Os Sete Vales

            " Um dos fenômenos criados é o sonho. Vê quantos segredos nele se acham depositados, quantas sabedorias entesouradas e quantos mundos ocultos. Observa: estás adormecido numa mroada cujas portas estão trancadas, mas, de súbito, te encontras numa cidade longínqua, onde entras sem mover os pés ou fatigar o corpo; vês sem fazer uso de teus olhos, e, sem esforço dos ouvidos, ouves; sem língua falas. E talvez presencies no mundo exterior, dez anos depois, as mesmíssimas coisas  que sonhaste essa noite.
           Ora, há muitas sabedorias que ponderar no sonho, as quais ninguém pode compreender em seus elementos verdadeiros, a não ser os habitantes deste Vale (Vale da Admiração). Primeiro: que mundo é esse onde sem olhos, ouvidos, mãos ou língua, o Homem usa todos eles? Segundo: como é que vês hoje, no mundo exterior, a realização de um sonho que previste no mundo do sono há dez anos passados? Deves considerar a diferença entre esses dois mundos e os mistérios por ele encerrados, a fim de que possas atingir as confirmações divinas e as descobertas celestiais, e entrar nas regiões da santidade.
         Deus, o Excelso, depositou nos Homens esses sinais para que os filósofos não negassem os mistérios da vida do além, nem tivessem em pouca conta aquilo que lhes foi prometido. Pois alguns se apoiam no raciocínio e negam tudo o que a razão não compreende; entretanto, mentes fracas jamais compreenderão os temas que acabamos de relatar, pois tão somente a Inteligência Suprema, Divina, é que os pode compreender."
Os Sete Vales,
Bahá'u'lláh

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cajueiro em flor


O jardim viceja e revolve a terra com raízes novas.
As rosas florescem, os gerâneos explodem em flores,
os camarões atraem os beija-flores,
as primaveras espalham-se em galhos e cachos,
a magnólia desaba ao peso de tantas flores e enche o ar
de um perfume doce e convidativo,
a rainha da noite abre-se em perfumes apenas uma noite
e as orquídeas gritam de tanta beleza.
Em meio a tantas flores existe um cajueiro em flor.
Suas delicadas flores exalam, também, um delicado e doce perfume.
Falar sobre o cajueiro parece-me reportar aos dias de inverno quando suas folhas
haviam caído e a beleza havia desaparecido de seus galhos.
Naqueles dias, facilmente eu poderia imaginar que suas folhas jamais voltariam,
que a geada havia tomado conta de sua existência.
Sentada na varanda, olhando aquela bela árvore, imaginei assim os dias de nossas vidas. Dias de inverno, quando as adversidades parecem ocupar toda a nossa atenção e, as nossas forças esvaem-se. Quando temos a impressão de que não existirão dias melhores e, desesperados oramos a Deus pedindo ajuda; dias de primavera quando as nuvens passam, os problemas amenizam e a respiração já não é tão sofrida. O medo e a ansiedade começam a ficar em segundo plano. O sorriso volta ao rosto e Deus é parte de nosso pensamento diário.
Igual a um cajueiro, que apesar de todas as mudanças que sofre com a troca das estações do ano, permanece inabalável ante às intempéries, devemos confiar nas bênçãos divinas, em Seu amor e Seu amparo.
Confiança essa e a palavra que descreve a beleza que floresce no Ser Humano.
Helena Rosali

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Um dia para refletir

Viajando pelas estradas de São Paulo, contornando montanhas, admirando as nuvens, sentindo o vento gelado, reportei-me aos dias em que, criança ouvia meu avô tocando violão e cantando nas noites das minhas férias escolares.
Na fazenda, o cheiro úmido do mato, o mugido do gado e o luar formavam a cena perfeita para minhas memórias.
Da cozinha escapava o cheiro maravilhoso do arroz de carreteiro de minha avó. Que ela fazia com carne seca e arroz lá da fazenda, descascado no pilão e abanado na peneira. E, com o detalhe de ser feito no fogão à lenha.
Saudades do vô Auro e da vó Aurora.
Hoje, dia de finados, percebi a saudade de tempos que nunca mais vou viver.
Perdida nos pensamentos, fiz orações para eles e lembrei-me que este mundo material é só uma passagem, um tempo de aprendizado para algo infinitamente maior.
Dia desses sonhei com minha vó Ernestina e saí atrás dela tentando acompanhá-la. No sonho ela pediu que eu voltasse para trocar a roupa que estava usando. Foi tão real e sei que quando eu for para o outro lado, certamente vou encontrá-la.
Obrigada queridos avôs e avós pela grande alegria que proporcionaram aos meus dias de criança.
Helena Rosali

terça-feira, 1 de novembro de 2011

ÚLTIMO DIA DE OUTUBRO

          Alguns dias, em meu pequeno ateliê de costura, encantava-me com a beleza dos trabalhos de Ana Consentino. Suas aulas de patchwork, que assistia nos canais de TV, continham um quê de "Quero conhecer pessoalmente esta professora e ver com os olhos e com as mãos os trabalhos que, de forma magistral, ensina nos passo a passos.
          Seu ateliê é encantador. Tem uma atmosfera aconchegante e convidativa. Senti-me em casa e conversei com a Ana como se já fossemos amigas.
          O patchwork é uma arte que vai além da união de retalhos para criar formas, é uma expressão da alma inquieta na busca da combinação perfeita, do encaixe mágico e no compartilhar experiências e técnicas. Uma arte que agrega sonhos e esperanças e troca retalhos em dias de tarde morna com cheiro de café e bolo de fubá.

sábado, 15 de outubro de 2011

Costura e Literatura

Em meio aos tecidos
tecidos de infinitas cores
As horas passam cantarolando as canções da máquina de costura
da tesoura que corta faixas, formas, pedaços
das coisas que a vida trouxe,
lembranças do que a vida levou!
Helena Rosali